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“QUARTEIRÃO”: Núcleo Quarteira/Vilamoura em fotografia inaugurada na Galeria da Praça do Mar

Foi inaugurada ontem, 26 de fevereiro, na Galeria de Arte da Praça do Mar, em Quarteira, a Exposição “Quarteirão”, de Filipe Farinha.

A inauguração contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, da vereadora Marilyn Zacarias e da diretora municipal Dália Paulo, entre outros.

“Quarteirão” é um ensaio fotográfico de Filipe Farinha sobre a procura das linhas que dividem Quarteira de Vilamoura, através de um passeio triangular pelo interior territorial que parte da praia de uma, terminando na praia de outra.

Como cidadão não local, estabelece um percurso onde tenta perceber quais os elementos que criam uma ambiguidade na zona de separação e quais os elementos simbólicos que criam as diferenças e as semelhanças entre si, através de retratos do espaço residencial.

Segundo Vítor Aleixo, “Filipe Farinha escolheu voltar a olhar para Quarteira e dar-nos a ver, com o olhar captado pela sua objetiva, a nossa cidade de Quarteira e os seus lugares. Vilamoura e Quarteira aqui retratadas sem oposição mas como partes de um território que deve ser multissensorial, multifuncional e complementar. No frio da arquitetura e do espaço público, o espetador é convidado a colocar o humano, a vivência e a sonhar novas vivências e a construir novas memórias, destruindo pré conceitos. Esta é uma exposição que nos convida a olhar com atenção para os nossos lugares com um olhar generoso e construtivo“.

Salvador Santos, escritor:

“Quarteirão, de Filipe Farinha, é um ensaio imagético que procura entender as relações de unidade e alteridade que existem entre duas realidades urbanas distintas – Quarteira e Vilamoura – e onde são exploradas as possibilidades de uma linha divisória, por vezes ambígua e difícil de situar, apesar dos dois topónimos invocarem imagens mentais e distintas.

Quarteira e Vilamoura são parte integrante da mesma freguesia e geograficamente indissociáveis, na medida em que a malha urbana dos dois lugares se aproximou, ao ponto de se poder olhar para ela como se de um enorme quarteirão se tratasse.

Nas duas imagens iniciais da exposição, Filipe Farinha mostra o horizonte líquido de Quarteira e de Vilamoura.

As diferenças subtis que se encontram ao se compararem as duas fotografias, e não será exagero pensar que esse exercício só é evidente para os olhos experimentados, expressam essas duas realidades urbanas distintas e, em simultâneo, atentam para a dificuldade em estabelecer os seus limites e confrontações.

Muros, vedações, descampados e ruas parece indicarem limites mas a questão é de difícil resposta, até mesmo para os residentes.

O corpo dos dois núcleos tem estado em transformação há décadas e é precisamente fruto desse urbanismo galopante que surge uma separação, não apenas naquilo que se constrói mas também nos interstícios da área edificada, nos espaços vazios, obsoletos ou abandonados. Uma fronteira.

No entanto, essa divisão é ambígua. Uma das suas particularidades é ser uma divisão que não divide quando vista por um olhar alóctone.

Na perspetiva de uma comparação, Filipe Farinha procurou os paralelismos que se estabelecem na relação dos elementos orgânicos com as construções diferenciadas, e como estes desempenham papéis importantes, tanto na edificação da delimitação das diferentes zonas territoriais, como na ligação de conceitos visuais próximos.

Em Quarteirão, os locais percorridos frequentemente por residentes e visitantes foram interpretados fotograficamente na condição de um vazio humano.

O espaço, desalojado da presença humana, permite dirigir o olhar para lugares que habitualmente não consideramos, através de um silêncio que, no ato de observar, ajuda a um melhor envolvimento com as formas geométricas ou desiguais que o definem”.

A exposição estará patente ao público até ao dia 9 de abril e pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 9h30 às 13h30 e das 14h30 às 17h30. A entrada é livre.

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