Saúde

Estudo observacional revela que COVID-19 pode aumentar risco de Zona em pessoas com mais de 50 anos

Semana Europeia da Imunização assinala-se de 24 a 30 de abril

De acordo com um novo estudo1 observacional, realizado pela GSK, pessoas com 50 ou mais anos que tiveram COVID-19 têm um risco 15% maior de desenvolver Herpes Zoster (vulgarmente conhecido como Zona) – uma erupção cutânea dolorosa – em comparação com quem não foi diagnosticado com COVID-19. O estudo foi publicado no Open Forum Infectious Diseases da Sociedade de Doenças Infecciosas da América.

O estudo, retrospetivo, observou adultos com 50 ou mais anos, utilizando informação de duas grandes bases de dados dos EUA, e fez a comparação entre pessoas que tiveram e que não tiveram COVID-19, tendo em consideração vários fatores de risco para o Herpes Zoster (Zona). As principais conclusões revelam que: indivíduos que contraíram COVID-19 tinham mais 15% de probabilidade de desenvolver Herpes Zoster (Zona) em comparação com os doentes de controlo, que nunca foram diagnosticados com COVID-19; o risco de desenvolver Herpes Zoster (Zona) foi considerado elevado durante os seis meses após o diagnóstico de COVID-19; os doentes que requereram hospitalização devido à COVID-19 tinham 21% mais de probabilidade de vir a ter Herpes Zoster (Zona). Pessoas vacinadas contra o Herpes Zoster ou a COVID-19 foram excluídas destas coortes.

Esta é a primeira evidência epidemiológica que liga a infecção anterior por COVID-19 ao aumento do risco de Herpes Zoster em adultos mais velhos, que já correm maior risco devido ao declínio da imunidade relacionado com a idade. É importante que os profissionais de saúde estejam informados deste risco potencial aumentado para que os doentes possam ser diagnosticados e tratados precocemente caso desenvolvam Herpes Zoster após a infeção por COVID-19. Estes resultados também destacam a importância das medidas preventivas, como a vacinação, para proteger a saúde e o bem-estar de idosos que correm risco de vir a desenvolver doenças preveníveis pela vacinação, como é o caso do Herpes Zoster”, explica Temi Folaranmi, médico, Vice-presidente e Vaccines Theapeutic Head, do departamento médico da GSK nos EUA.

Herpes Zoster, também conhecida como Zona, é causada por uma reativação do vírus varicela zoster (VZV) – o mesmo vírus que causa a varicela –, que fica “adormecido” no corpo após a infecção primária inicial. Quase todos os adultos com mais de 50 anos têm este vírus latente no seu organismo. O declínio natural do sistema imunitário relacionado com a idade pode permitir que o VZV seja reativado, causando Herpes Zoster. Pessoas com um sistema imunitário suprimido ou comprometido têm também maior probabilidade de desenvolver um caso de herpes zoster.

Os autores do estudo, bem como outras publicações de relatórios de casos, sugerem que a COVID-19 pode desencadear um caso de Herpes Zoster ao causar uma disrupção das células do sistema imunitário, permitindo que o VZV seja assim reativado. No entanto, é necessária mais investigação para confirmar essa hipótese.

O Herpes Zoster apresenta-se, geralmente, como uma erupção cutânea dolorosa num dos lados do corpo ou do rosto. A maioria das pessoas que desenvolve a doença sente dor aguda, muitas vezes descrita como sensação de queimadura, o que pode causar perturbações significativas nas atividades diárias, podendo durar várias semanas.

Metodologia do Estudo

Os dados foram retirados das bases de dados da Truven MarketScan Commercial Claims and EncountersMedicare Supplemental e Optum Clinformatics Data Mart. Estas bases de dados contêm alegações médicas, medicamentos prescritos e dados de resultados laboratoriais em ambulatório.

Indivíduos com diagnóstico inicial de COVID-19 foram pareados com os indivíduos controlo de acordo com a idade, género, fatores de risco para a zona e os custos de saúde. Cada doente do grupo COVID-19 foi comparado aleatoriamente com quatro doentes do grupo não COVID-19 de entre um grupo de indivíduos que se enquadravam nos critérios. Para serem incluídos, os indivíduos não poderiam ter recebido anteriormente vacinas contra o SARS-CoV-2 ou o Herpes Zoster. O status de vacinação foi baseado nos Códigos Nacionais de Medicamentos e nos códigos de Terminologia Processual Atual. As limitações do estudo incluem as inerentes à pesquisa retrospetiva baseada em dados de alegações médicas. Embora o estudo tenha sido controlado tendo em conta possíveis fatores de confundimento, existe a possibilidade de confundimento residual. Por exemplo, embora o estudo tenha excluído pessoas vacinadas contra os vírus que provocam Herpes Zoster e COVID-19, é possível que nem todas as vacinas tenham sido registadas na base de dados. Além disso, as duas bases de dados incluídas não contêm informações de indivíduos segurados pelo Medicaid ou Medicare (exceto Medicare Advantage), o que pode afetar a generalização dos resultados.

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