Quarteira

QUARTEIRA | Catarina Martins no Fórum da Água no Algarve

A iniciativa do eurodeputado José Gusmão e da distrital bloquista de Faro juntou este sábado, em Quarteira ativistas e investigadores para um dia de debates.

Este sábado, 7 de maio, o eurodeputado José Gusmão e o Bloco de Esquerda de Faro promovem o Fórum da Água no Algarve para debater a seca, o desperdício, a poluição e outros desafios e alternativas para a qualidade e quantidade de água num momento de crise climática.

A iniciativa teve início às 10h no Centro Autárquico de Quarteira e contou com a presença da coordenadora bloquista Catarina Martins na sessão de abertura, a par do presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, Telmo Pinto e do ex-deputado João Vasconcelos em representação da estrutura distrital do partido.

As intervenções técnicas tiveram o seu início logo a seguir, com três temas em destaque: Manuela Moreira da Silva, investigadora do Instituto Superior de Engenharia – Universidade do Algarve, do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) e do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CeiiA) interveio sobre a eficiência no uso da água e a dessalinização; Nuno de Santos Loureiro, do Departamento de Ciências da Terra, do Mar e do Ambiente da Faculdade de Ciência e Tecnologia, Universidade do Algarve, falou acerca das reservas de água de superfície; e o agrónomo e investigador Manuel Costa abordou o tema da reutilização da água.

Na parte da tarde, teve lugar uma mesa redonda com ativistas, moderada por José Manuel do Carmo, com o tema geral “A água que temos, a que queremos e para que a queremos”. Tratou-se de um debate aberto com a participação de organizações e individualidades com pensamento e reflexão global sobre o tema em que se procurou encontrar os consensos e os pontos de discordância, na busca da construção de alternativas que melhor sirvam o Algarve.

Embora a região tenha um clima caracterizado por uma alternância cíclica de anos secos e anos de grande precipitação, verifica-se uma  tendência para o aumento dos anos secos e diminuição global dos níveis  de precipitação. É preocupante a situação das reservas de água  existentes. As albufeiras estão, na generalidade, abaixo do nível  necessário para suportar as necessidades até setembro e os aquíferos estão em nível crítico e deles depende muita da agricultura.

As soluções passam por implementar formas de poupança, seja ao nível da educação para um consumo doméstico consciente, embora os concelhos mais gastadores sejam aqueles em que há maior concentração de turismo.

As perdas de água, real e não faturada, em Municípios e perímetros de rega, estão estimadas em cerca de 50%, que estão a ser pagas pelos contribuintes. Alguns bons exemplos mostram que uma gestão competente e responsável permite alterar estas situações. Parte deste problema está também associado a um deficiente ordenamento do território, nomeadamente, no que respeita à proliferação de piscinas, arranjos paisagísticos inadequados e a uma pouco informada gestão do ciclo urbano da água.

Parte significativa dos consumos da agricultura provêm de furos  particulares, muitos sem autorização, que retiram água dos aquíferos  públicos sem controlo. O princípio do utilizador/pagador recomenda  investir na monitorização da água consumida e na modernização  tecnológica dos processos de rega, o que poderá reduzir  significativamente os cerca de 60% dos consumos agrícolas.

A reutilização das águas residuais tratadas, permitiria reaproveitar 50hm3/ano, correspondendo a cerca 20% da água consumida. Acresce que estas águas, ao serem lançadas nos meios naturais, constituem um problema ambiental ao poluírem ribeiras e aquíferos, prejudicam a qualidade das reservas de água. Pelo contrário, quando utilizadas na rega, enriquecem de nutrientes os solos.

O investimento em soluções para aumentar a recarga dos aquíferos poderá contribuir para mitigar o estado em que ciclicamente se  encontram.

A dessalinização é uma alternativa tecnicamente possível se baseada na  energia fotovoltaica, mas importa apreciar a dimensão do campo de  painéis solares necessários para a suportar e, sobretudo, a solução tecnológica a dar à salmoura resultante. As experiências de dessalinização apontam para contextos de absoluta falta de água. Na  região já existem casos, associados a iniciativas hoteleiras, sendo, portanto, integradas nos seus próprios custos de fatores de produção.  Em qualquer caso, a produção deve ser pública e não poderá onerar o custo da água para consumo público. Os 45 milhões de € previstos para  o projeto de dessalinização para cerca de 30 mil pessoas são equivalentes, ou mesmo superiores, às soluções de poupança referidas. Também, a transferência de água do Pomarão, contribuiria para complementar o enchimento da albufeira de Odeleite, no entanto a  negociação com Espanha e os custos não contabilizados, levam a que esta solução deva ser considerada no médio e longo prazo, na opinião do PREHA.

O Bloco de Esquerda manifesta a firme intenção de lutar pela implementação das medidas necessárias conseguir a curto prazo a tranquilidade hídrica no Algarve, de forma a não voltarem a acontecer as graves situações de escassez de água que ciclicamente ocorrem.

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