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QUARTEIRA | Santos Populares com arraiais mas sem desfile de marchas

A capital dos Santos Populares no Algarve contará com um programa especial que irá animar a cidade por estes dias. O desfile das Marchas Populares não sairá à rua no formato habitual, contudo a tradição destas festividades vai cumprir-se em Quarteira.

Os arraiais são um dos sinónimos de animação nas noites de Stº António, S. João e S. Pedro, e neste programa especial serão também um dos principais motivos para que a população saia à rua para celebrar. As ruas típicas de Quarteira associam-se a esta organização e, nos dias 10 e 11 de junho, a festa faz-se na Rua da Cabine, nos dias 12, 23 e 28, na Rua da Alegria, e nos dias 17 e 18, na Rua Vasco da Gama. Bailes com artistas populares, os espaços decorados com o tradicional festão colorido e manjericos e, é claro, a gastronomia, sobretudo os típicos pratos como a sardinha assada e o caldo verde, serão os ingredientes principais destas noites.

Entre os dias 10 e 30 de junho, as montras do comércio local das Ruas Vasco da Gama e Bartolomeu Dias recebem uma exposição com os fatos dos marchantes que, ao longo dos anos, fizeram a história deste evento. Esta iniciativa, que constitui uma forma de mostrar ao público a riqueza do espólio que incorpora a cultura popular quarteirense, conta com o apoio da APROMAR e do comércio local que, nesta altura do ano, ganha um novo fulgor graças aos muitos turistas que acorrem à cidade para assistir a este quadro etnográfico.

Os desfiles das Marchas Populares dos anos anteriores serão exibidos em formato cinematográfico, no Largo do Centro Autárquico, nos dias 12, 23 e 28, das 10hh0 às 21h00.

No mesmo local, nos dias 13, 24 e 29 de junho, das 9h30 às 18h30, vão estar à venda os tradicionais manjericos. Segundo a tradição, os namorados ofereciam às namoradas na noite de Stº António, esta planta num vaso com um cravo e poemas alusivos ao amor, que se tornou símbolo das celebrações dos Santos Populares.

“A Autarquia de Loulé e a Junta de Freguesia de Quarteira, desde o primeiro momento, mostraram a sua abertura para a realização do desfile das marchas. No entanto, devido às restrições e sucessivos confinamentos impostos no âmbito da pandemia da COVID-19, os diferentes grupos de Marchas de Quarteira consideraram que, face ao curto espaço de tempo que separou o desconfinamento da celebração das festas dos Santos Populares, não havia condições para preparar o desfile com o rigor necessário para a sua realização com a qualidade e a beleza características destas marchas. Assim, devido ao receio sentido pelos grupos, preferimos adiar a retoma para o próximo ano. Mas, apesar de tudo, não deixaremos passar em claro estas datas e iremos, com este programa, reviver a tradição”, explicaram os autarcas Vítor Aleixo e Telmo Pinto.

Antes das marchas como hoje as conhecemos, as festas integravam os arraiais, as fogueiras, os bailes e os banhos na noite de S. João, que tinham lugar normalmente em Quarteira pela sua proximidade ao mar. Até à década de 70 do século XX a celebração resumia-se às comemorações de S. João com os “bailes de mastros” pela cidade e o “banho santo”, à meia-noite. Ao Padre Elísio Dias, nomeado pároco de Quarteira em 1968, dever-se-á a criação das Marchas Populares, que conheceram maior incremento a partir da década de 90. Em 1995 surge a APROMAR, Associação Promotora das Marchas Populares, que passa então a organizar oficialmente o evento.  

Com o passar dos anos, os Santos Populares de Quarteira tornaram-se num dos principais cartazes turísticos da cidade de Quarteira, do concelho de Loulé e da região algarvia, atraindo muitos turistas. Mas este evento é também a demonstração do bairrismo que está bastante enraizado no espírito e alma de todos os quarteirenses, uma comunidade que se envolve de corpo e alma nesta realização.

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