- A análise da Randstad Research revela que o Algarve lidera a volatilidade laboral, com o desemprego a recuar 23,3% na primavera, exigindo novos desafios de retenção.
- O número total de empregados atingiu as 5.344.700 pessoas, o que se traduz num aumento mensal de 23.000 profissionais e homólogo de 120.500.
- A taxa de desemprego registou uma queda, situando-se nos 5,7%.
- A descida mensal do desemprego foi sentida exclusivamente entre os jovens (-5,1%) e as mulheres (-2,1%).
- A remuneração média declarada fixou-se nos 1.592,11€ em março, evidenciando um aumento de 4,2% face ao ano anterior.

A preparação para a época alta do turismo está a acelerar o mercado de trabalho no Algarve, que registou uma redução de 23,3% do desemprego na primavera face ao mês anterior, segundo a mais recente análise mensal da Randstad Research baseada em dados do INE, IEFP e Segurança Social. O desempenho da região destaca-se num contexto nacional marcado pelo crescimento do emprego e pela descida da taxa de desemprego.
Queda expressiva contrasta com aumentos de 60% no inverno
No arranque da preparação para o verão, o desemprego no Algarve diminuiu substancialmente, recuando 23,3% — menos 3.971 inscritos face a março. Esta queda contrasta de forma expressiva com os aumentos na ordem dos 60% observados durante os meses de inverno, evidenciando um mercado de trabalho fortemente condicionado pela sazonalidade da atividade turística.
Embora o Algarve demonstre uma elevada capacidade de absorção da mão de obra disponível nos períodos de maior procura, a repetição anual deste padrão evidencia os desafios estruturais que as empresas da região enfrentam para assegurar maior estabilidade laboral e promover a retenção de talento ao longo de todo o ano.
“Empresas precisam de repensar estratégias: de visão sazonal para carreiras sustentáveis”
Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirma:
“Os dados que observamos no Algarve exigem uma reflexão urgente na gestão de talento. Mais do que reagir aos picos de procura, as empresas precisam de repensar as suas estratégias, passando de uma visão puramente sazonal para uma aposta em carreiras sustentáveis. A solução para mitigar esta extrema volatilidade passa por reinventar a proposta de valor para o colaborador: investir na requalificação das equipas durante os meses de menor atividade, criar modelos contratuais mais flexíveis e apostar num employer branding forte que mantenha os profissionais vinculados à organização o ano inteiro”.
Contexto nacional: emprego aumenta e taxa de desemprego recua para 5,7%
Em abril de 2026, as estimativas provisórias mensais revelam que o emprego no país conheceu um aumento de 23.000 pessoas face a março (+0,4%), continuando a ultrapassar a fasquia dos 5,3 milhões para atingir os 5.344.700 profissionais empregados.
Em termos homólogos, a evolução é ainda mais expressiva, com o mercado a conseguir integrar mais 120.500 trabalhadores (+2,3%), o que impulsionou a taxa de emprego para os 66,2% (aumento de 1 p.p. face ao ano anterior). Este dinamismo refletiu-se igualmente no crescimento da população ativa, que teve um aumento mensal de 19.900 pessoas e homólogo de 95.200, contabilizando agora um total de 5.666.800 ativos, voltando a valores recorde.
Desemprego recua para 322.000
Paralelamente, a taxa de desemprego recuou para os 5,7% , assinalando uma diminuição de 3.300 pessoas (-1%) face a março, para um total de 322.000 desempregados em Portugal.
Análise demográfica da queda mensal do desemprego:
- Mulheres: -3.700 pessoas (-2,1%)
- Jovens (16-24 anos): -3.600 pessoas (-5,1%)
- Homens: ligeiro aumento (+400)
- Adultos (25-74 anos): ligeiro aumento (+300)
Numa perspetiva homóloga, o cenário é de recuperação generalizada, com o desemprego a diminuir em todos os grupos populacionais, com especial destaque para a redução de 10% nas mulheres e de 10,3% nos jovens.
Procura de talento intensifica-se
Em abril, o comportamento ditou uma queda nos pedidos de emprego (-2,7%) e o desemprego registado recuou 4,2% face a março, totalizando 295.756 pessoas (dados do IEFP).
A procura de talento por parte das empresas intensificou-se:
- Ofertas de emprego por preencher: 16.458 (aumento mensal de 12,3%, +1.754 ofertas)
- Novas ofertas de emprego recebidas em abril: 11.919 (maioritariamente serviços: 8.567)
- Colocações realizadas: 9.051 a nível nacional
Remuneração média: 1.592,11€
A remuneração média por trabalho dependente declarada à Segurança Social (referente a março) fixou-se nos 1.592,11€ , assinalando:
- Crescimento de 1% face a fevereiro
- Crescimento de 4,2% face a março de 2025
Remunerações por região:
| Região | Remuneração média |
|---|---|
| Lisboa | 1.852,50€ |
| Setúbal | 1.673,28€ |
| Beja | 1.308,99€ (mais baixa) |
Indicadores-chave (abril 2026)
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Desemprego no Algarve (primavera) | — | -23,3% (menos 3.971 inscritos) |
| Emprego nacional | 5.344.700 | +0,4% mensal / +2,3% homólogo |
| Taxa de desemprego nacional | 5,7% | -3.300 pessoas (-1%) |
| População ativa | 5.666.800 | valores recorde |
| Ofertas de emprego por preencher | 16.458 | +12,3% |
| Remuneração média (março) | 1.592,11€ | +4,2% homólogo |
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