Quarteira

O dia em que o céu inventou novas cores e a calçada aprendeu a dançar Zumba com Bela Pereira

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Houve uma tarde, em Quarteira, em que a realidade decidiu tirar férias. Foi a 10 de agosto, no Largo da Gaivota, quando o sol, já cansado de ser apenas sol, resolveu descer com um espetáculo de luz que deixou os deuses da pintura com inveja. O céu vestiu-se com o regresso daquelas cores para as quais ainda não inventaram nomes, tons que os dicionários nunca conseguirão aprisionar, matizes que só os olhos de quem ali estava puderam testemunhar.

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E foi sob essa abóbada impossível que este Zumba Sunset do Verão Ativo 2026 se transformou em algo maior do que uma simples aula. Foi um ritual cósmico, uma coreografia de estrelas caídas na terra, liderada pela inquieta, pela eterna, pela incansável Bela Pereira.

Quando as nuvens desceram para assistir

Era fim de tarde quando cerca de uma centena de almas, entre residentes de corpo e veraneantes de coração, se foram juntando no Largo. O que prometia ser mais uma sessão de exercício rapidamente se desfez em poesia. O céu, ele próprio, parecia ter marcado presença: nuvens baixas desciam como espectadores de um bailado sagrado, recortando-se contra aquele horizonte de cores proibidas, como se o próprio firmamento quisesse aplaudir.

Sob a batuta energética de Bela Pereira, sempre irrequieta, sempre sorridente, sempre em movimento como se tivesse música nas veias em vez de sangue, o largo deixou de ser largo. Tornou-se tela de um surrealista de sonho. As pedras da calçada portuguesa, essas guardiãs centenárias do silêncio, pareciam saltitar ao ritmo das batidas, como se as vibrações sonoras lhes tivessem devolvido a alma. Os postes de iluminação, sentinelas habituais, curvavam-se em reverência à melodia, ondulando como algas ao sabor de uma corrente invisível.

E o mar? O mar, ali ao lado, não ficou indiferente. As ondas batiam no compasso certo, como se também elas tivessem ensaiado. O emblemático Baloiço, esse, também não conseguiu ficar indiferente e começou a baloiçar sozinho.

Uma multidão de sorrisos e Bela Pereira em missão de alegria

Entre residentes e veraneantes, formou-se uma multidão colorida e vibrante. Os sorrisos multiplicavam-se como numa equação feliz, e os olhares cúmplices diziam mais do que mil palavras. Zumba deixou de ser exercício, era comunhão. Era celebração. Era a prova de que a felicidade, quando partilhada, pesa menos e dura mais.

Ainda houve espaço para um toque de humor cósmico: coreografias com uma energia tão contagiante que até as estrelas, ainda escondidas, devem ter batido palmas. Apesar do suor, do calor e da intensidade, o que se viveu no Largo da Gaivota foi um surto generalizado de alegria, uma epidemia de bons sentimentos para a qual, felizmente, Bela Pereira tem a vacina.

Quando o improvável acontece, mesmo que por uma tarde

Os Zumba Sunset são, ano após ano, dos momentos mais altos da temporada do Verão Ativo. Mas esta tarde de 10 de agosto foi diferente. Foi daquelas em que o quotidiano se dissolveu e deu lugar ao extraordinário. Onde o mar, o céu, a música e o corpo se fundiram numa experiência quase onírica.

Porque às vezes, basta um pôr do sol daqueles que não cabem em palavras, uma instrutora que parece ter nascido para fazer os outros felizes e muita gente com vontade de ser feliz para que o improvável aconteça e as pedras da calçada ganhem asas, mesmo que só por uma tarde de verão.

Ficha Técnica

  • Evento: Aula Aberta de Zumba Sunset – Verão Ativo 2026
  • Data: 10 de agosto de 2026
  • Local: Largo da Gaivota, Quarteira
  • Instrutora: Bela Pereira
  • Organização: Câmara Municipal de Loulé e Junta de Freguesia de Quarteira

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