Loulé

Loulé ganha Locomotiva Artística: Escultura marca Aniversário da Ffreguesia de S. Sebastião

O caminho junto à estação de comboios Loulé/Praia de Quarteira ganhou, esta quinta-feira, um novo habitante de ferro e memória. Uma locomotiva escultórica, da autoria do designer e empresário Francisco José, foi inaugurada como parte das celebrações do 136º aniversário da freguesia de S. Sebastião, uma das duas que compõem a cidade de Loulé.

Cerimónia de inauguração CML-Alexandra Hoesen

A obra, que combina arte, história e identidade, não é apenas um objeto decorativo. É um símbolo vivo, um tributo à chegada do comboio que, há 137 anos, mudou para sempre o destino do Algarve.

UM “MIMINHO” QUE É MUITO MAIS DO QUE UMA ESCULTURA

Para Analídio Ponte, presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, este é um daqueles gestos que fazem a diferença na relação entre a autarquia e a comunidade.

“O trabalho de uma junta de freguesia tem que responder às necessidades da população, ser intermediário entre as pessoas e a Câmara Municipal, mas também passa, por vezes, dar um ‘miminho’, algo que traga orgulho aos nossos fregueses”.

E que miminho! A locomotiva, em metal, evoca a imagem do primeiro comboio a chegar a Loulé, em 1 de julho de 1889, partindo do Barreiro e inaugurando uma nova era de progresso para a região. Foi um momento de viragem e a escultura, agora instalada, garante que essa memória continue visível aos olhos de todos os que passam.

ARTE, FERRO E MEMÓRIA

O autor da obra, Francisco José, empresário do concelho na área do design e grafismo, assumiu o desafio com entusiasmo — mesmo com o tempo a correr contra:

“Foi um desafio dado o pouco tempo de execução que tivemos, mas tentámos dar o nosso melhor e conseguimos fazer algo que dá nas vistas. Espero que o cidadão seja um vigilante contra o vandalismo que não conseguimos controlar”.

A locomotiva não é apenas um elemento de valorização do espaço público. É, sobretudo, um ponto de encontro entre o passado e o presente, entre a mobilidade que transformou Loulé e o olhar artístico que hoje a celebra.

DO PASSADO FERROVIÁRIO AOS DESAFIOS DE HOJE

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, marcou presença e aproveitou para recordar a centralidade que os caminhos-de-ferro trouxeram a Loulé no final do século XIX. O transporte de cereais e farinhas para moinhos e padarias impulsionou a economia local, ainda que a ferrovia tenha nascido envolta em polémicas, pela distância do centro da cidade.

Mas o autarca foi mais longe, traçando uma ponte com o presente:

“Apesar das mudanças dos tempos, a mobilidade continua a ser um dos problemas do Algarve. Há ainda muitos locais da região onde os transportes públicos não chegam. Precisamos de comboios, autocarros e outros meios que se complementem, que sirvam quem vive, trabalha e visita esta região ao longo de todo o ano”.

MÚSICA PARA FECHAR A FESTA

A celebração do aniversário de S. Sebastião terminou em grande, com um momento musical no Largo Afonso III. O músico Sandrino, finalista do Festival da Canção 2026, subiu ao palco acompanhado pela Banda Filarmónica Artistas de Minerva, num concerto que uniu gerações e encerrou o dia com as notas certas.

UMA LOCOMOTIVA PARA O FUTURO

Mais do que uma escultura, esta locomotiva é uma promessa de continuidade, a de que a história de Loulé não se perde no tempo, antes se reinventa em cada gesto artístico, em cada obra pública, em cada memória partilhada.

Que o ferro da locomotiva resista ao vento e ao tempo. E que a memória do comboio continue a viajar, nos olhos de quem passa e no coração de quem fica.

De 1889 a 2026: o comboio que chegou, a história que fica.

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