Quarteira

“Era quase um irmão para mim”: Marito emociona-se ao homenagear Francisco Lourenço, o “Chico do Onda Mar”

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

A morte prematura de Francisco Lourenço, conhecido por todos como “o Chico do Onda Mar”, deixou um rasto de pesar em Quarteira. Mas é nas palavras de quem o conheceu de perto que a sua memória ganha verdadeira dimensão. Marito, treinador histórico do CDR Quarteirense, quis prestar-lhe uma homenagem sentida, feita de recordações, cumplicidade e gratidão.

Francisco Lourenço

“O Chico era uma pessoa muito pura, honesta, que tinha o dom de dizer aquilo que pensava”, começou por dizer Marito, visivelmente emocionado. “E isso, para mim, é uma coisa muito importante”.

A ligação entre os dois ultrapassava o campo de jogo. Trabalharam lado a lado durante anos. Marito como treinador, Chico como diretor desportivo do Quarteirense. Mas foi fora das quatro linhas que a amizade se consolidou. “Não é em vão que ele é o padrinho da minha filha”, revelou Marito. “Criámos uma grande amizade a partir desse momento. Um grande homem, uma grande pessoa, sem dúvida, que vai deixar um grande vazio na vida das pessoas que conviveram com ele”.

O homem certo para o lugar

Foi Marito quem sugeriu o nome de Chico para diretor desportivo do Quarteirense. “Percebi que ele era a pessoa certa para a função. Porquê? Porque o Chico era uma pessoa que conseguia conciliar o futebol com aquilo que sentia”. O presidente do clube, José João Guerreiro, ponderou inicialmente, mas depressa se convenceu. Chico ficou quatro anos no cargo, um sinal de que a aposta tinha sido certeira.

Mas o que realmente marcava Chico ia muito além das funções. “Ele era uma pessoa que dava tudo a toda a gente”, recorda Marito. “Era capaz de emprestar dinheiro aos jogadores quando não recebiam o ordenado. Era capaz de oferecer uma refeição a um jogador que não tinha refeições. Era um grande homem, sim”.

Marito confessa que se emociona ao falar do amigo: “Quanta gente que pertence ao Quarteirense não comeu no Onda Mar à custa do Chico?”. A generosidade de Francisco Lourenço, muitas vezes não correspondida, ficará para sempre na memória de quem beneficiou dela.

“Serás sempre parte da família Quarteirense”

Também o CDR Quarteirense, através das suas redes sociais, deixou uma palavra de despedida: “É com enorme tristeza que nos despedimos de Francisco Lourenço, que durante vários anos fez parte da Direção do nosso Clube como Vice-Presidente. Obrigado por tudo, Francisco. Serás sempre parte da família Quarteirense”.

Marito — um treinador com história no clube

Marito, de nome verdadeiro Armando Alves, é um técnico profundamente ligado ao Quarteirense. Antes de assumir o comando da equipa sénior, orientou vários escalões de formação. Passou ainda por clubes como Quarteira, Campinense, Almancilense, Moncarapachense e Armacenense.

Os números falam por si: em 148 jogos pelo Quarteirense, soma 67 vitórias, 35 empates e 46 derrotas, com 200 golos marcados e uma média de 1,35 golos por jogo, números que o colocam entre os técnicos mais produtivos da história do clube.

Mas no dia em que homenageou Francisco Lourenço, Marito não falou de estatísticas. Falou de amizade, de lealdade e de um homem que, para ele, “era quase um irmão”.

“O meu muito obrigado para ele e para a família dele”, concluiu.

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