Opinião

O papel do farmacêutico especialista na farmácia comunitária

Artigo de Opinião da Dra. Elisabete Antunes | Diretora Técnica Farmácia Morais Soares

Equipa Farmácia Morais Soares

A distribuição geográfica das quase três mil farmácias comunitárias, em Portugal, torna-nos altamente acessíveis à população, sendo o farmacêutico comunitário, muitas vezes, o primeiro contacto com o sistema de saúde, atuando como um profissional de saúde de primeira linha no acesso aos cuidados primários. A farmácia comunitária é, cada vez mais, um dos primeiros locais aos quais as pessoas recorrem quando procuram alguma solução no que toca à sua saúde. 

Ao longo dos anos, a nossa área de atuação tem sido alargada e a importância da nossa intervenção é cada vez mais evidente através do impacto que tem tido em diversas áreas. Atualmente, o farmacêutico comunitário é responsável por áreas como a gestão do medicamento; preparação individualizada da medicação; rastreios de saúde através dos quais identifica precocemente utentes de risco; realização de serviços de saúde como a administração de vacinas e medicamentos injetáveis; realização de consultas farmacêuticas; determinação de infeções agudas da orofaringe e infeções urinárias; realização de sessões de literacia em saúde e, mais recentemente, a dispensa de medicamentos em proximidade, entre outras. 

Ser farmacêutico(a) na farmácia comunitária é um papel muito gratificante. Permite-nos, acima de tudo, fazer a diferença na vida das pessoas. Muitas vezes somos casa, ombro amigo, abraço, apoio, ouvintes e conselheiros dos nossos utentes que todos os dias nos procuram. Vendemos aquele teste de gravidez que deu positivo, vemos a barriga a crescer, o desenvolvimento durante a primeira infância e de repente já são pré-adolescentes! Sentimos falta dos utentes que deixaram de aparecer, alguns porque mudaram de residência, foram institucionalizados ou porque, pelas circunstâncias naturais da vida, acabaram por falecer. Somos os “olhos” que sinalizam e encaminham utentes em risco – que, por dificuldades económicas, estão condicionados ao acesso de condições dignas de sobrevivência -, em articulação com os serviços competentes. Esclarecemos populações migrantes sobre o acesso ao Serviço Nacional de Saúde e a cuidados básicos de saúde.   

Trabalhamos em equipa, algo fundamental para conseguirmos disponibilizar aos utentes o serviço de excelência que tanto valorizamos. E sim, para, também, nos apoiarmos mutuamente, porque para “estar lá”, também temos de estar bem.  

O atendimento ao público nem sempre é fácil. Nem sempre conseguimos satisfazer a necessidade do utente que temos à nossa frente. Mas, acima de tudo, temos de ter uma certeza: fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para o conseguir.  

Queremos continuar a trabalhar em equipa para além da porta da farmácia! Sabemos que se todos os profissionais de saúde trabalharem em articulação, os maiores beneficiados serão precisamente os utentes. Apesar dos avanços dos últimos anos relativamente à partilha dos dados de saúde, há ainda muito trabalho a fazer. E, a verdade é que apesar de estarmos na primeira linha no acesso aos cuidados de saúde primários, também estamos no fim da cadeia no que concerne à transmissão da informação relativa à saúde dos utentes e ao tratamento. Sempre aceitámos os desafios que nos propuseram e assim vamos continuar. É um orgulho para nós, farmacêuticos comunitários, fazer parte da solução e assim deverá ser o caminho.

Categorias:Opinião, Saúde

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