Algarve

Rio Arade: Arqueólogos estudam vestígios de naufrágios no âmbito do projeto MUSA

Campanha arqueológica decorre até 4 de outubro, em Lagoa e Portimão, e pretende caracterizar e monitorizar vestígios de diferentes períodos históricos

Arade©José António Bettencourt – CHAM – FCSH

O património cultural marítimo e subaquático do estuário do rio Arade, nos concelhos de Portimão e Lagoa, está a ser alvo de uma nova campanha de trabalhos arqueológicos que pretende caracterizar e monitorizar vestígios de naufrágios de diferentes períodos históricos, no âmbito do projeto MUSA – Musealização dos achados arqueológicos do fundo do rio Arade.

Com um investimento de 3,4 milhões de euros, financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030, o MUSA prevê um conjunto de intervenções destinadas a transformar o património arqueológico subaquático do Arade num recurso para a ciência, educação, cultura e turismo sustentável.

Uma parceria entre instituições nacionais, regionais e municipais

Trata-se de um dos mais relevantes investimentos regionais na valorização do património cultural, dedicado à arqueologia marítima e subaquática, reflexo da concertação de vontades entre instituições nacionais, regionais e municipais: uma parceria entre as autarquias de Lagoa e Portimão, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) do Património Cultural, Instituto Público, e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR-Algarve).

Áreas em estudo e sítios identificados

A atual campanha decorre até ao próximo dia 4 de outubro. Entre as áreas em estudo destacam-se os sítios Arade B e Leixão da Gaivota, onde têm sido identificados vestígios de naufrágios que remontam à época romana e se prolongam até à época moderna, em zonas reconhecidas como importantes ancoradouros com mais de dois mil anos de história.

Os trabalhos incluem a intervenção em vários sítios com naufrágios, entre os quais:

  • Geo 1 – vestígios que remontam à época romana;
  • Arade 1 – datado do século XVI;
  • Geo 5 e Arade 23 – do século XIX;
  • Canhoneira Faro – navio da Armada Portuguesa naufragado em 1912, correspondente ao contexto arqueológico mais recente.

Sobre o MUSA

Dotado de um investimento de 3,4 milhões de euros, financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030, o MUSA decorre sob responsabilidade de quatro entidades: as Câmaras Municipais de Portimão e Lagoa, o CNANS e a CCDR-Algarve.

Regista igualmente a participação da Universidade do Algarve, através do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património, da Universidade NOVA de Lisboa, através do CHAM – Centro de Humanidades, da Administração dos Portos de Sines e do Algarve e da Marina de Portimão. O projeto conta ainda com a colaboração do Centro de Mergulho PortiSub e com a articulação da Capitania do Porto de Portimão.

Na agenda do MUSA destacam-se:

  • A reformulação do núcleo de arqueologia marítima e subaquática do Museu de Portimão;
  • A criação de um núcleo museológico em Lagoa;
  • A instalação de uma reserva subaquática visitável;
  • Uma exposição nas margens do Arade;
  • A criação de um Museu Virtual;
  • Um programa de divulgação dirigido às comunidades locais.

Com o projeto também se pretende capacitar a região para a gestão e conservação do património cultural arqueológico marítimo e subaquático.

Uma das zonas de maior sensibilidade arqueológica do país

A área do rio Arade e a sua envolvente marítima constituem uma das zonas de maior sensibilidade arqueológica do país, sendo conhecidos dezenas de sítios arqueológicos, achados isolados e referências documentais.

O objetivo do MUSA é contribuir para a salvaguarda e conservação dos sítios arqueológicos e para o reforço da atratividade da região, valorizando a relação histórica das comunidades com o rio e o mar.

Categorias:Algarve, Lagoa, Portimão

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