Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve
Iniciativa integrou as celebrações do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, com o tema “Mesmo uma só destas crianças”

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A 26.ª Festa dos Povos / 26.º Encontro dos Povos Migrantes de Loulé realizou-se ontem, 27 de setembro de 2026, reunindo representantes de comunidades de imigrantes do concelho de Loulé, em particular, e de todo o Algarve, em geral. A iniciativa integrou as celebrações do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que este ano teve como tema «Mesmo uma só destas crianças».
Uma organização de representantes das comunidades migrantes dos Concelhos de Loulé e Faro com a parceria da Câmara Municipal de Loulé.
O programa começou no Santuário de Nossa Senhora da Piedade – Mãe Soberana, em Loulé, com o acolhimento dos participantes, seguido do desfile e entronização das bandeiras dos diferentes países representados. A celebração da Eucaristia foi presidida pelo novo bispo do Algarve, D. Vitorino Soares.
Após a celebração religiosa, os participantes dirigiram-se ao Salão de Festas Municipal de Loulé, onde decorreu o tradicional almoço-convívio, com gastronomia representativa das diferentes comunidades, seguindo-se momentos culturais, música e convívio.
A Festa dos Povos tem uma particular importância no contexto de Loulé, dada a diversidade das comunidades migrantes residentes no concelho e no Algarve, contando este ano com representantes de 19 países e com a participação de várias associações de comunidades estrangeiras.
O tema deste ano, «Mesmo uma só destas crianças», corresponde à mensagem do 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado em 27 de setembro de 2026. O tema foi escolhido pelo Papa Leão XIV e centra a atenção nas crianças diretamente envolvidas em processos de migração e refúgio.
D. Vitorino Soares, novo bispo do Algarve: «Enriquecemo-nos com essa diversidade»
O novo bispo do Algarve começou por dar os parabéns à iniciativa, que já leva 26 anos: “Porque se fosse má, com certeza já tinha terminado. Parabéns a quem está por trás desta proposta e que é capaz também de nos congregar neste espaço, neste dia e nesta diversidade”.
Dirigindo-se aos presentes, saudou o Presidente da Câmara e todas as entidades envolvidas, sublinhando a importância de “nos colocarmos no lugar do outro”, que considerou “a melhor aprendizagem que nós podemos fazer”.
Referiu que a diversidade de 19 países representados é sinal de “uma dimensão universal, de abertura, que nos faz próximos e dignos, independentemente de quem somos”. E acrescentou: “Estarmos com os outros também é saudável. Não perdemos a nossa personalidade, mas enriquecemo-nos com essa diversidade”.
Numa nota mais pessoal, agradeceu o acolhimento e a simplicidade com que foi recebido: “Agradeço este ambiente que tenho sentido, nesta lua de mel ainda, neste ano maravilhoso”. E deixou um desejo: “Que esta história se possa prolongar sempre, sempre com o contributo de todos. Todos têm qualidades, todos têm capacidades, e eu acredito que aqui no Algarve há muitas potencialidades”.
Silvério Guerreiro, presidente da Assembleia Municipal de Loulé: «Aqui é o ponto de encontro dos caminhos pessoais de todos nós»
Silvério Guerreiro começou por agradecer ao bispo Vitorino, ao Padre César e ao Padre Carlos Aquino, “que tem sido o nosso guia espiritual nesta comunidade”. Agradeceu também à Igreja, “porque está a fazer aqui aquilo que é cultura. O encontro de culturas de todos os países. A cultura são os caminhos que cada um de nós faz e aqui é o ponto de encontro dos caminhos pessoais de todos nós”.
Refletiu sobre o sentimento de solidão que afeta muitos jovens hoje: “A música que hoje passa mais no Instagram é a música a dizer que as pessoas estão sozinhas e estão perdidas. As pessoas estão perdidas porque não têm referências. Referências que já existem, como é esta Festa dos Povos, e que a nossa religião cristã há muito preconiza”.
Felicitou a Igreja Católica “porque nos dá essa cultura, essa raiz que vem de longe”, e agradeceu à organização, ao Presidente da Câmara, às Juntas de Freguesia, a Selma Ferreira, ao Vítor e ao João. “Isto parece muito fácil, mas o trabalho voluntário e profissional com qualidade é preciso ser com pessoas que dão muito de si e sem pensar em si. São pessoas que estão a pensar em vós.”
Vicencia de Brito, cônsul-geral de Angola em Lisboa: «Há necessidade de nos unirmos mais»
Em nome das representações consulares presentes, incluindo o Cônsul de Itália e a representação da Guiné-Bissau, Vicencia de Brito agradeceu o convite anual e sublinhou: “Tal como o senhor bispo disse hoje na missa, somos todos um só povo”.
Citou os países representados: Angola, Argentina, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, China, França, Guiné-Bissau, Reino Unido, Itália, Moçambique, Nigéria, Roménia, S. Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Suíça, Estados Unidos da América, Venezuela e Ucrânia.
“Num momento em que o mundo atravessa uma situação tão difícil, há necessidade de nos unirmos mais, de sermos mais solidários, de sermos mais amigos e de lutar por essa paz necessária que necessitamos para preservar mesmo a humanidade”, afirmou.
Elisabeta Necker, presidente da Associação Doina: «Esta festa vai continuar e cada vez maior»
Elisabeta Necker, que está em Portugal desde 2000, lembrou que a Associação Doina vai celebrar 20 anos em dezembro. “Nem sempre foram facilidades. Mas cada um de nós, aqueles que não nasceram em Portugal, sabe a dificuldade que passamos e às vezes continuamos a passar”.
Confessou que não queria vir, por estar cansada, “mas tenho aqui a minha comunidade. Eles fizeram-me levantar e eu vou continuar a estar junto com eles naquilo que for necessário. No bom, no mau”.
Recordou o início das festas em Estoi, com o Cipriano e a Lavinia, “que começaram dançando mesmo sem música. Porque estavam a acreditar naquilo que faziam. Eram embaixadores da Roménia e não podiam deixar ficar mal”.
“O nosso trabalho foi trazer a festa para Loulé, porque fazia muito mais sentido. Eram as pessoas de Loulé que davam vida à festa. E esta festa vai continuar e cada vez maior”.
Referiu ainda que, segundo o relatório da AIMA, o concelho de Loulé tem mais de 30% de residentes estrangeiros, sem contar com Alemanha, Ucrânia e Moldávia. “Por isso, somos muitos”.
Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé: «Para o ano não pode ser aqui, vai ter que ser num espaço bem maior»
Telmo Pinto começou por agradecer e dar os parabéns à organização, deixando uma promessa: “Para o ano não pode ser aqui, vai ter que ser num espaço bem maior. Até porque há muita gente que gosta de dançar e isto é uma pista muito pequena”.
Cumprimentou o novo bispo, que tomou posse há pouco tempo “mas fez questão da primeira homilia ser aqui no Concelho de Loulé, na Igreja de Nossa Senhora da Piedade”, e agradeceu aos padres Aquino e César, “que já fazem parte deste aniversário”.
Numa nota pessoal, recordou: “Tenho 55 anos, eu também sou retornado, estive em Angola, a minha irmã nasceu em Angola. Lembro-me do meu crescimento aqui, não só com pessoas nativas, mas com pessoas de todo o lado”.
“Estamos a falar de 20 comunidades que estão aqui hoje, mas temos agrupamentos escolares com mais de 60 nacionalidades diferentes. Mais de 30% da população de Loulé hoje em dia é população que veio de fora. Portanto, nós somos aquilo que todas estas culturas são e, no fundo, somos só um povo”.
Prometeu que para o ano estarão cá, “num outro espaço, com melhores condições”, e que podem contar com o apoio da Câmara à organização.
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