Loulé

Escola de Almancil vence X Jogo da Democracia

A proposta apresentada pela Escola Básica 2,3 Dr. António de Sousa Agostinho, de Almancil, foi a vencedora do X Jogo da Democracia do Concelho de Loulé, que decorreu na quarta feira, dia 24 de abril, na Sala da Assembleia Municipal de Loulé, Edifício Engº Duarte Pacheco.

Numa altura em que a União Europeia vive momentos conturbados, “Que futuro para a Europa?” foi o tema lançado pela organização do Jogo para esta edição. Os alunos, agrupados em quatro “grupos parlamentares”, personificaram o papel de deputados e debateram de forma viva as questões em torno das políticas necessárias para que o “Velho Continente” consiga ultrapassar as dificuldades, nomeadamente os países que enfrentam maiores problemas como é o caso de Portugal, criando a necessária coesão europeia.

A Escola Sebastião Teixeira de Salir foi a primeira a apresentar a sua proposta. Em tom crítico quanto às atuais políticas europeias, desemprego, baixa taxa de natalidade e envelhecimento da população, neoliberalismo económico que tem conduzido à austeridade ou à ausência de políticas em áreas como a Educação e Saúde, este grupo referiu que “estão a destruir uma Europa e a despertar os monstros da guerra”.

Os jovens deputados da escola salirense falaram da divisão da Europa em dois grandes blocos: o do Norte, “mais rico e empreendedor, onde, por coincidência, dominam as religiões protestantes, que sempre aceitaram a liberdade e iniciativa individual como uma forma natural para o enriquecimento”, e o do Sul, “mais pobre e menos empreendedor, que sempre foi dominado e castrado por uma igreja implacável e por regimes ditatoriais, onde tudo podia ser pecado. Este mesmo sul tem ainda um clima, que se torna impossível trabalhar pelo calor que se faz sentir nalgumas épocas do ano”.

Criar leis para proteger os produtos produzidos dentro da comunidade, mantendo a sua qualidade, criar uma Europa mais solidária, que dê apoio às populações nos momentos mais necessitados e garantir e lutar pelos direitos e liberdades, foram algumas das propostas integradas nesta apresentação. “Esta Europa não queremos, por isso desejamos grandes mudanças nas políticas aplicadas, com homens que tenham alguma sensibilidade para tratarem da coisa pública. Nós só queremos uma Europa, vencedora, unida, que dê esperanças no futuro e que trate bem dos seus cidadãos”, concluíram os jovens deputados de Salir.

Seguiu-se a apresentação da proposta que viria a tornar-se vencedora, que começou por indicar os objetivos que presidiram à formação da União Europeia e o ponto da situação relativamente ao cumprimento desses objetivos no momento atual.

Os alunos de Almancil analisaram as vantagens e desvantagens da adesão ao Euro e os riscos inerentes à crise instalada nos últimos anos na Eurozona.

A proposta apresentada centrou-se nos grandes objetivos do projeto e em três estratégias que “permitirão a sua concretização, tendo em vista uma Europa desenvolvida, unida, democrática, que respeite verdadeiramente os cidadãos”.

Segundo este grupo, as instituições europeias deverão conceder empréstimos com juros indexados ao crescimento económico desses países e com prazos de pagamento compatíveis com esse crescimento, em vez de continuarem a insistir numa política de austeridade. Outra das saídas para a Europa passa por definir regras, a nível europeu, para evitar a subordinação da economia e de decisões políticas aos interesses da alta finança. Finalmente, de acordo com esta proposta, é preciso reinventar outra forma de fazer política, aproveitando as iniciativas da sociedade civil e formando movimentos de cidadãos. “É preciso dar mais voz aos cidadãos, valorizar mais a utilização do referendo e exigir que a população seja consultada quando os governantes se afastam radicalmente das suas promessas eleitorais”, consideraram.

A Escola D. Dinis de Quarteira defendeu a importância da criação de um salário mínimo na União Europeia, tendo em conta a discrepância existente em países como a França em que o salário mínimo é de 1425 euros por mês, ou países como a Grécia, em que o salário mínimo não chega a os 500 euros mensais.

Por outro lado, de acordo com esta proposta, para tentar resolver grande parte dos problemas da união europeia é necessária a obtenção de direitos e deveres iguais para todos, o estabelecimento de valores fixos mínimos aos quais os países pertencentes à União Europeia teriam de cumprir, para o investimento em diversas áreas como a saúde e educação. E sublinharam ainda a importância da educação e da saúde para o desenvolvimento de um país e não apenas a economia.

“Estes valores iriam permitir um aumento do desenvolvimento de todas as áreas e setores dos vários países da União Europeia, e assim uma menor diferença de qualidade de vida nos diferentes países desta União. Assim os países poderiam ser autossustentáveis não necessitando de Fundos como os do FMI. Estas medidas, claramente, não iriam resolver todos os problemas existentes na União Europeia mas acreditamos que iria diminuir a enorme diferença entre os vários países da Europa de forma a permitir à Europa ser uma região mais equilibrada tendo em conta a qualidade de vida da sua população”, referiram ainda.

Finalmente, a Escola Secundária de Loulé falou da existência de quatro modelos no seio da União Europeia: Nórdico, Anglo-Saxónico, Continental e Mediterrânico e que, apesar de existirem variados fatores que diferenciam os quatro modelos entre si, estes mantêm-se unidos por determinadas caraterísticas, princípios e valores como a igualdade, a liberdade ou a solidariedade, que perduram para além dos tempos.

Para o grupo, é necessário “homogeneizar o modelo social no qual cada país se baseia”, por forma a atenuar as discrepâncias que se verificam entre países, tendo por base o modelo nórdico, por considerarem “o mais viável” mas que implicaria “uma mudança de mentalidades”. “Ao manter o sistema que, de momento, organiza e rege a Europa estamos a cooperar e a permitir que países com melhores condições económicas e financeiras se aproveitem dos países mais debilitados pela crise”, consideram.

Quanto à possibilidade da Europa se tornar uma federação de Estados, o grupo de Loulé falou dos prós e dos contras mas considerou ser esta “uma visão utópica do futuro”. Como tal, a proposta apresentada considera que é importante uma reformulação do sistema europeu, nomeadamente através de uma maior homogeneização do setor económico-financeiro, crescimento inteligente (promoção do conhecimento, da inovação, em particular a inovação tecnológica, e da educação, contribuindo assim para uma sociedade mais desenvolvida e ainda, mais digital e tecnológica), sustentável (tornar o aparelho produtivo mais eficiente em termos de recursos, reforçando assim também a competitividade) e inclusivo (aumento da taxa de participação no mercado de trabalho, na aquisição de qualificações e no combate contra a pobreza).

Dez edições de Jogo Democrático

O Jogo da Democracia do Concelho de Loulé foi criado em 2002, pela Autarquia louletana, no âmbito das comemorações do 25 de Abril. Após dois anos de interregno, esta iniciativa foi retomada este ano.

Segundo o vereador da Juventude da Câmara Municipal de Loulé, Joaquim Guerreiro, este Jogo tem como principais objetivos a participação dos jovens na vida democrática, encorajar a participação ativa dos jovens na vida das suas comunidades ao nível local, regional, nacional e internacional, descobrir as suas necessidades e desejos em assuntos relacionados com a participação na vida democrática e simular o funcionamento das instituições democráticas e dos papéis dos decisores políticos.

Em relação À escola do tema “Que futuro para a Europa?”, este responsável considerou que a ideia foi proporcionar aos jovens uma oportunidade para reforçar a sua cidadania europeia e de sentirem que estão a contribuir para a construção do futuro da Europa.

Já o vice-presidente da Autarquia, José Graça, considerou que este Jogo tem trazido “ideias interessantes para o Município”.

Quanto ao futuro da União Europeia, este responsável municipal considerou que, apesar da crise que o País sente, “as dificuldades seriam maiores se Portugal estivesse fora do Euro, sem uma moeda forte que defendesse os seus interesses nos mercados”.

Numa altura em que está a ser formulado um novo quadro comunitário, José Graça sublinhou o facto de, pela primeira vez, os fundos para o sector agrícola esgotaram primeiro do que os dos outros sectores, o que poderá ser um sinal positivo.

CM-Loulé

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