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LOULÉ | Britânico envolvido no sequestro de escocês condenado a nove anos e meio de prisão

Tribunal de Loulé

Tribunal de Loulé

O inglês Matthew Conde, o sexto arguido envolvido no sequestro e tortura de um cidadão escocês no Algarve, em 2010, foi hoje condenado a nove anos e meio de prisão pelo Tribunal de Loulé.

Os restantes elementos do grupo já tinham sido condenados há um ano, em Loulé, mas Matthew Conde encontrava-se, na altura, detido em Inglaterra, para onde fugiu quando soube que os outros tinham sido detidos em Portugal.

O arguido foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado na forma tentada e sequestro agravado, tendo o juiz que proferiu o acórdão classificado o caso como sendo “pior do que um filme de terror”.

O caso remonta a 5 de Outubro de 2010, dia em que James Ross aterrou em Portugal atraído por uma falsa promessa de trabalho e foi levado para uma vivenda perto de Boliqueime, onde foi torturado e mantido em cativeiro.

Ao fim de 13 dias, o arguido agora condenado, de 26 anos, libertou o escocês, por recear a acção das autoridades portuguesas, que já tinham detido os outros elementos do grupo.

Contudo, o facto de ter libertado a vítima terá sido “irrelevante” para o tribunal uma vez que, segundo o juiz, Matthew Conde não libertou Ross, “apenas o abandonou à sua sorte”, não tendo chamado uma ambulância ou a polícia.

Para o tribunal, houve um “tratamento desumano” da parte de Conde para com a vítima, uma vez que podia ter terminado com o sequestro vários dias antes, evitando que Ross permanecesse “num estado inacreditável de sofrimento”.

Apesar de ter sido absolvido do crime de ofensa à integridade física, pelo facto de não se ter conseguido provar que Conde tenha participado nos actos de tortura, para o tribunal o que se provou “é muito grave” e “pior do que um filme de terror”.

Segundo o juiz que proferiu o acórdão, “quase não dá para acreditar” no que aconteceu à vítima, que mesmo em grande sofrimento, sem uma orelha e outras partes do corpo, foi mantido preso dia após dia.

Matthew Conde estava preso em Inglaterra desde Outubro de 2011, por força de um mandado internacional de captura, mas foi extraditado para Portugal em agosto do ano passado, onde continuou em prisão preventiva, em Lisboa.

O líder do grupo, Steven Johnson, foi condenado a 25 anos de prisão, a pena mais pesada das aplicadas aos cinco arguidos, que foram condenados a 15, oito e a dois anos e meio.

A pena única de nove anos e meio aplicada a Matthew Conde é o cúmulo jurídico por homicídio qualificado na forma tentada (sete anos) e sequestro agravado (sete anos).

Segundo o acórdão proferido no ano passado, Johnson não planeara inicialmente matar James Ross, mas essa hipótese começou a ser ponderada quando aquele se tornou num “problema por resolver”.

A mando do líder do grupo, James Ross chegou a ser levado dentro de um carro para a Barragem de Santa Clara, no Alentejo, para ser morto, mas o condutor da viatura, Terence McGurck, desistiu do plano.

A segunda pena mais pesada, de 15 anos de prisão, foi aplicada a Calum McLeod, que, em co-autoria com Steven Johnson, sujeitou James Ross a violentas torturas e mutilações, considerou o tribunal.

Fonte: Público

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