Opinião

A poesia em “Cinco Sentidos”

cinco_sentidos

Numa sociedade em que a poesia é vista com desinteresse afirmando muitos que desconhecem e sem mesmo antes de experimentar afirmam: «Eu não gosto de poesia!»… não nos devemos admirar quando se diz ser a poesia alimento para o espírito. Quem aspira a viver da poesia pode esperar muitos anos até que a sorte lhe bata à porta… ou na maioria dos casos a morte… morte que consagra o poeta que enquanto vivo permanece um «ilustre desconhecido». Esta é uma situação muito comum que vivem os poetas ditos «locais». Ser poeta a tempo inteiro nos dias de hoje é tal como no passado viver em constante sobressalto… por isso é sempre bom relembrar palavras antigas escritas em desespero de causa como as que Mário de Sá-Carneiro escreveu a Fernando Pessoa quando comunicou a este último a sua intenção de se suicidar e os motivos que o levariam a isso. O texto pode ser encontrado na «wikipédia» (pois sim apesar do que se diz e repete encontram-se na «wikipédia» coisas muito interessantes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_de_SáCarneiro (…) temos é de saber escolher, procurar e verificar):

«(…) Meu querido Amigo.

A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal e qual – mas custa-me tanto a escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas «cartas de despedida»… Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando: afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por aqui… Já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma: eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa áurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei: tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o histerismo do seu ópio, as luas zebradas, os mosqueiros roxos da sua Ilusão. Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre, psicologicamente, às mil maravilhas, mas não tenho dinheiro. (…)»

Mário de Sá-Carneiro, carta para Fernando Pessoa, 31 de Março de 1916.

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_de_SáCarneiro

Convida assim Miguel Silvestre à leitura do seu primeiro livro de poesia «Cinco Sentidos» recentemente publicado pela Chiado Editora e cujas referencias podem ser encontradas facilmente on-line.

Poderemos então afirmar:

A poesia é alimento para o espírito e prato «gourmet» para o corpo.

Categories: Opinião

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.