Opinião

Dia Mundial da Diabetes celebra-se a 14 de Novembro

Artigo de opinião da Dra. Sílvia Saraiva, médica da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal

Dra: Silvia Saraiva

Dra: Silvia Saraiva

A diabetes tipo 1 inicia-se geralmente na infância ou na adolescência e necessita de terapêutica com insulina desde início, uma vez que há uma falência súbita e completa das células do pâncreas que a produzem. A diabetes tipo 2 inicia-se geralmente já na idade adulta e provem de um problema de resistência à ação da insulina que em geral é herdado e que se agrava muito com a obesidade e o sedentarismo. Esta é a razão pela qual este tipo de diabetes está a aumentar dramaticamente em todo o mundo e a aparecer em idades cada vez mais jovens (em Portugal, 13% da população é diabética tipo 2 embora só cerca de metade é que está diagnosticada).

Quando se diagnostica diabetes tipo1 há na maioria dos casos um grande choque, uma vez que quer o jovem, quer a família ficam angustiados com um “para sempre” de uma vida que lhes parece cheia de restrições e incapacidades. Esta não é a realidade da diabetes no século XXI, em que as formas de controlo do açúcar no dia-a-dia são simples e fiáveis e as insulinas tem tempos de ação fisiológicos e seguros que permitem adaptar a insulina ao estilo de vida que se quiser praticar, sem restrições de horários, tipo de atividade ou intensidade de esforço. A inovação tecnológica tem contribuído fortemente para esta melhor gestão da doença, nomeadamente através da terapia de bomba infusora de insulina – que administra continuamente pequenas quantidades de insulina ao corpo através de um conjunto de infusão e permite maior liberdade à pessoa com diabetes – e a monitorização contínua da glicemia (MCG) que proporciona mais informação e maior segurança ao longo das 24 horas do dia, o que possibilita a identificação das variações glicémicas, algumas não detetadas pelas medições capilares. Por isso a pessoa com diabetes tipo 1 pode e deve praticar todo o tipo de desportos desde que faça uma aprendizagem correta da gestão da sua terapêutica nessas situações, sobretudo de modo a evitar baixas de açúcar inesperadas. Para isso é importante ter o apoio de médicos e outros técnicos de saúde habituados a gerir desporto e diabetes e que desmistifiquem pedagogicamente a diabetes como doença incapacitante.

No que respeita à diabetes tipo 2, o desporto aeróbico é uma opção terapêutica preventiva e curativa uma vez que, quando praticado com regularidade reduz consideravelmente a principal causa desta patologia, que é a resistência à ação da insulina. Em vez de tentar recorrer a dietas demasiado restritivas, é mais vantajoso optar por uma dieta equilibrada, pobre em gorduras de modo a baixar as calorias, sem restringir demasiado o volume da comida e conjuga-la com um programa de exercício regular. Esta atitude, tomada atempadamente e com determinação, pode por si só, permitir uma regressão ou pelo menos uma grande melhoria da diabetes tipo 2. Para realizar exercício o diabético tipo 2 deve aprender com o seu médico a alterar a medicação e a alimentação conforme a duração e a intensidade do esforço e, quando este considerar necessário, fazer uma avaliação prévia do risco cardiovascular para adequar a intensidade dos treinos às necessidades de segurança.

Para mais informações consulte: www.ajdp.org

Categories: Opinião, Saúde

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