Ocorrências

ALBUFEIRA | Ucranianos voltam a manifestar-se em ‘marcha lenta’

Depois de 2 e 9 de fevereiro, Ucranianos em Portugal voltaram a organizar ontem, domingo, dia 16 de fevereiro, uma marcha lenta automóvel nas cidades de Lisboa, Porto, Faro e Albufeira, em solidariedade para com o movimento de oposição ao Presidente ucraniano.

Foram colocados cartazes e bandeiras nas suas viaturas para chamar a atenção de que o regime [do Presidente Viktor Ianukovich] “continua a aterrorizar o povo ucraniano”, disse à Lusa o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal.

Em Albufeira, a concentração ocorreu no parque de estacionamento junto ao Tribunal, tendo a caravana automóvel percorrido em marcha lenta as principais artérias da cidade, deslocando-se depois para a Igreja de Santa Ana, onde foi celebrado um cerimonial religioso em homenagem e memória das vítimas caídas às mãos da polícia nas manifestações em Kiev.

De acordo com Paulo Sadhoka, a utilização de automóveis em “marcha lenta é um gesto de solidariedade” para com um dos organizadores de colunas de veículos na capital ucraniana, Kiev, e que foi vítima da violência da polícia.

“Há uma semana, desapareceu um líder do movimento de contestação na Ucrânia. Dmytro Bulatov organizou as marchas lentas com carros na Ucrânia e chegou a bloquear a passagem das tropas e da polícia. Ajudou muito o movimento e foi por isso que desapareceu. Foi encontrado depois de ter sido torturado. Foi espancado e cortaram-lhe uma orelha. Foram os agentes da polícia e, por isso, vamos demonstrar a nossa solidariedade com ele através da marcha lenta”, explicou Sadhoka.

“Nós vamos continuar a fazer manifestações todas as semanas até que a situação mude na Ucrânia”, concluiu Paulo Sadhoka.

De referir que no dia 10 de fevereiro a Associação dos Ucranianos em Portugal organizou uma concentração em frente à embaixada da Rússia em Lisboa contra a influência política do Kremlin em Kiev tendo apelado à solidariedade do povo russo para com a contestação na Ucrânia.

O gabinete de direitos humanos da ONU pediu à Ucrânia uma investigação “rápida, minuciosa e independente” das mortes, raptos e torturas de manifestantes.

“Estamos chocados com as mortes relatadas nos últimos dias em Kiev, as quais devem ser pronta, completa e independentemente investigadas”, disse à imprensa Rupert Coville, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

A televisão ucraniana noticiou o caso de um ativista da oposição Dmytro Bulatov, desaparecido há uma semana e encontrado gravemente ferido, que terá sido torturado pelos seus captores.

Bulatov, 35 anos, relatou que os seus captores o espancaram e torturaram, tendo-lhe cortado uma orelha e pregado pregos nas mãos, acabando por deixá-lo numa floresta.

Antiga república soviética, a Ucrânia é há dois meses palco de manifestações em massa, algumas marcadas por violentos confrontos com a polícia, convocadas após a decisão do Presidente, Viktor Ianukovitch, de suspender os preparativos para assinar um acordo com a União Europeia e estreitar relações com a Rússia.

Por: Jorge Matos Dias /PlanetAlgarve (contexto Albufeira) com Lusa (contexto nacional)

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