Albufeira

Praia Maria Luísa | Derrocada em zona recentemente intervencionada

A derrocada ocorrida há dias na Praia Maria Luísa (Albufeira) vem, mais uma vez, comprovar a fragilidade das políticas de proteção das arribas ultimamente postas em prática na nossa região.

O acidente deu-se de madrugada e só por essa razão não provocou vítimas. Em causa esteve um troço da falésia na zona nascente da praia, envolvendo a queda de algumas toneladas de rocha.

Numa abordagem superficial, poder-se-ia dizer que se trata apenas de uma nova evidência da instabilidade das arribas daquela região e de que o local em causa estava devidamente assinalado como sendo perigoso, aproveitando-se para reafirmar a necessidade de os banhistas se afastarem das arribas.

Ora isto é apenas uma parte da realidade.

A Praia Maria Luísa foi alvo de uma intervenção recente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que incluiu o desbaste das falésias nas zonas consideradas mais instáveis, nomeadamente no troço atualmente em causa e no local onde se deu o trágico acidente de 2009, em que morreram várias pessoas.

Por outro lado, na zona da arriba que agora sofreu a nova derrocada, foi reforçado e promovido um itinerário pedestre, protegido por uma vedação de madeira e que incluía um miradouro e uma escada de acesso, tudo isto apoiado na borda da frágil arriba (v. foto em anexo).

O referido miradouro e outras partes dessa obra, paga com o dinheiro dos contribuintes, ruíram agora, juntamente com a arriba que a suportava.

A Associação Almargem vem, por esse motivo, solicitar a quem de direito, um rigoroso inquérito que permita apurar:

– quem é o responsável direto pela decisão de construir o passadiço e escadas de acesso ao miradouro em cima da arriba na Praia Maria Luísa;

– que relação existe entre a óbvia maior frequência de utilização, pelos visitantes da praia, do itinerário pedestre em causa e a derrocada que agora aconteceu.

A Associação Almargem vem, também, exigir à APA que proceda, de uma vez por todas, à delimitação no areal, com uma vedação simples de estacas e corda, e em todas as praias de arriba da costa meridional do Algarve, das zonas de risco identificadas nos respetivos planos de praia.

Esta proposta, apresentada como alternativa ao crime ambiental ocorrido na Praia de Dona Ana, foi teimosamente ignorada pela APA, apesar das evidências de que, nessa como noutras praias, os banhistas continuam a procurar a sombra das falésias. Uma coisa é os banhistas dizerem que não repararam nos avisos afixados na arriba. Outra bem diferente é os banhistas estenderem a toalha dentro de uma área claramente delimitada e de utilização desaconselhada.

Por: Associação Almargem

Derrocada na Praia Maria Luísa - Albufeira

Derrocada na Praia Maria Luísa – Albufeira

Categories: Albufeira, Ocorrências

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