S. Brás de Alportel

Município e Universidade do Algarve prosseguem reedição da obra do escritor são-brasense

Ídolos de Barro e Canções de Amor de José Dias Sancho reeditadas

O Município de São Brás de Alportel e a Universidade do Algarve lançaram esta semana mais dois volumes das obras do escritor são-brasense, José Dias Sancho: “Ídolos de Barro e outros escorços críticos” e “Canções de Amor e outros poemas”.

Obras que se juntam aos volumes anteriormente lançados: “Deus Pan e outros contos” e “Bezerros de Ouro”, fruto de uma parceria formalizada entre o Município de São Brás de Alportel e a Universidade do Algarve, com vista à valorização e ao agrupamento da obra completa deste escritor e personalidade carismática, singular na história do Algarve e vulto maior da cultura portuguesa, definido por muitos como o “génio precoce de vida breve”, definição que serve de título à exposição biobibliográfica sobre José Dias Sancho que a Biblioteca Municipal Dr. Estanco Louro tem patente até 28 de janeiro.

O terceiro volume desta coletânea, agora lançado e intitulado “Ídolos de Barro e outros escorços críticos”, reúne a obra crítica do autor, publicada em livro e em várias jornais e revistas da época, enquanto o quarto volume “Canções de Amor e outros poemas”, reúne a coletânea de líricas de José Dias Sancho, escrita com apenas 18 anos.

A reedição completa da obra de José Dias Sancho é um projeto que prossegue mediante o rigoroso trabalho de investigação e edição da equipa de investigadoras, Sílvia Quinteiro e Maria José Marques, e a colaboração da editora Opera Omnia que estão a preparar mais dois volumes que serão publicados até 2024.

Perante o público presente, as investigadoras admitiram que este tem sido um processo muito interessante e surpreendente tanto pela quantidade como pela qualidade do trabalho do autor que, apesar de ter falecido com apenas 30 anos, abraçou com audácia e mestria diversos estilos literários. Ao longo do seu trabalho, as investigadoras são constantemente surpreendidas com trabalhos publicados em diversos países. Recorde-se que, José Dias Sancho era formado em Direito, mas, a sua vasta e invulgar obra, dispersa por vários estilos literários, é marcada por um forte teor regionalista, espírito crítico, atento e constitui um importante repositório da identidade algarvia.

Durante a sessão de lançamento que decorreu na Biblioteca Municipal Dr. Estanco Louro, a 9 de janeiro, as investigadoras asseguraram que “o melhor ainda está por vir”, sendo que nos próximos volumes se vão debruçar sobre crónicas, peças de teatro e narrativas curtas de José Dias Sancho.

Nota biográfica de José Dias Sancho

Advogado, poeta, escritor, ficcionista, conferencista, crítico literário e caricaturista, José Dias Sancho nasceu em São Brás de Alportel a 22 de abril de 1898 e faleceu, em Faro, a 11 de janeiro de 1929.

Aos 16 anos, escreveu para uma festa do Liceu a peça “A Ceia dos Cábulas”, uma paródia à “Ceia dos Cardeais”, de Júlio Dantas. Anos mais tarde, voltou à crítica da obra de Júlio Dantas no livro “Ídolos de Barro” (2º volume).

Foi um dos fundadores do jornal Correio do Sul e colaborou com muitos jornais da região, nomeadamente na Folha de Alte, na Vida Algarvia e na revista Costa de Oiro, de Lagos, onde, entre outros trabalhos, publicou o conto infantil “No Reino dos Bonecos”.

Em Lisboa, escreveu para o Diário de Notícias, para o Diário de Lisboa, para O Século e para A Situação, de que foi diretor. Enquanto estudante universitário da Faculdade de Direito, em Lisboa, colaborou no Académico, um jornal quinzenal defensor dos interesses académicos.

Licenciou-se em 1926, mas não chegou a exercer advocacia. Foi oficial nomeado nos Registos Civis de Ourique e de São Brás de Alportel.

Casou com Maria Helena Pousão Pereira Dias Sancho, filha do poeta João Lúcio, com quem teve uma filha, Maria Luzia a que é dedicado o conto “El-Rei-bebé”.

À data da sua morte, a 11 de janeiro de 1929, era Conservador do Registo Civil de Faro.

Da prosa típica e genuinamente algarvia, poeta romântico, a sua obra literária marca um dos valores mais notáveis da moderna geração, merecendo da crítica portuguesa, as mais lisonjeiras referências e sendo considerado entre os grandes da literatura: Cândido Guerreiro, Ferreira de Castro, Sousa Costa e Norberto Araújo.

“Canções de Amor”, coletânea de poesias, “Serenata de Mefistófeles”, obra de poesia satírica em quadras, “Deus-Pan”, contos rústicos, “El-Rei-Bebé”, dedicado à sua filha, e o romance “Bezerros de Outos” são alguns dos livros que publicou.