Quarteira

Centro de Educação e Cultura de Quarteira e espaço polivalente no Casino Velho avançam ao abrigo de Loulé 2028

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

  • Loulé 2028: Quarteira ganha novos equipamentos culturais com o CECQ – Centro de Educação e Cultura e a requalificação do Casino Velho
  • Candidatura a Capital Portuguesa da Cultura mobiliza 74 milhões de euros, dos quais 36 milhões são destinados a Quarteira; CECQ terá um orçamento de 28 milhões e o Casino Velho um investimento de 8 milhões

Loulé quer ser Capital Portuguesa da Cultura em 2028, mas apresenta a candidatura como muito mais do que a corrida de um município a um título nacional. Câmara, CCDR Algarve, Região de Turismo, Universidade, municípios algarvios, agentes culturais e comunidade estão a ser mobilizados para transformar a candidatura num projeto de afirmação de todo o Algarve.

A candidatura Loulé 2028 foi apresentada no dia 25 de setembro, no Palácio Gama Lobo, em Loulé, com um discurso assumidamente regional e com o apoio da CCDR Algarve e da Região de Turismo do Algarve (RTA), cujos presidentes estavam na apresentação, a que se juntam a AMAL e a Universidade do Algarve.

Quarteira no centro da estratégia cultural

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, anunciou que, entre os equipamentos culturais a construir, encontram-se dois projetos estruturantes para Quarteira há muito ambicionados pelos quarteirenses:

  • O CECQ – Centro de Educação e Cultura de Quarteira, com um orçamento de 28 milhões de euros;
  • A requalificação do Casino Velho de Quarteira, com um investimento previsto de 8 milhões de euros.

No total, 36 milhões de euros serão investidos em equipamentos culturais em Quarteira, reforçando o papel da cidade na candidatura e na estratégia cultural do concelho.

CECQ – Centro de Educação e Cultura de Quarteira

O CECQ pretende constituir-se como uma nova centralidade que vem reforçar o papel do concelho de Loulé ao nível local, regional e nacional. Integrará meios e ferramentas que permitirão atrair, formar e fixar talento e criatividade, bem como gerar redes culturais e de educação locais, nacionais e internacionais.

Entre as valências deste investimento estão um centro de espetáculos e residências, uma escola de dança e uma biblioteca.

Projeto do CECQ – Centro de Educação e Cultura de Quarteira

Recorde-se que, das 29 propostas apresentadas ao público no dia 14 de dezembro de 2019, na Galeria de Arte da Praça do Mar, em Quarteira, concorrentes ao concurso público de conceção para a elaboração do projeto do CECQ, o júri selecionou como vencedora (1.º prémio) a coordenada pelo arquiteto Pedro Domingos, pela “clara harmonia de relação do trabalho e fluxos de público à volta de um grande pátio-jardim, com uma centralidade muito forte e de feliz funcionalidade e articulação eficiente” e ainda porque “a qualidade arquitetónica e construtiva é efetivamente muito alta, coerente com o programa e com o espírito de conceito/missão cultural e artística ambicionada para o futuro CECQ. O pátio-jardim evoca a tradição e imaginários mediterrânicos, remetendo de forma pertinente e inspiradora para as tipologias de casa-pátio e jardins árabes”.

Requalificação do Casino Velho

Já em relação ao projeto previsto para o antigo Casino, a ideia foi apresentada no 23.º aniversário de elevação ao estatuto de cidade, a 13 de maio de 2022.

Antigo Casino de Quarteira

Localizado na zona histórica da cidade, o investimento vai criar um espaço comunitário e polivalente que permitirá resgatar um símbolo identitário desta terra. Entre outros, estão previstos:

  • Espaços para ateliers e oficinas;
  • Uma sala polivalente destinada a coworking, apoiando as gerações mais novas e criando condições de trabalho comunitário;
  • Um estúdio de captação e gravação;
  • Uma sala que recria o imaginário do antigo salão de baile, com capacidade para 350 lugares de pé e 200 sentados, podendo acolher diferentes atividades artísticas e culturais, em especial teatro, dança, bailes e exposições.

A obra visa requalificar o Casino Velho e transformá-lo num espaço polivalente, destinado sobretudo às atividades culturais e recreativas das várias gerações.

Uma candidatura que vale 74 milhões de euros

A candidatura vale 74 milhões de euros, junta municípios, instituições, universidade e agentes culturais e quer transformar 2028 num ponto de viragem para uma região habituada a ser procurada pelo sol, mas que agora quer ser reconhecida pela cultura.

Dos 74 milhões previstos, 7 milhões destinam-se diretamente à programação da candidatura entre 2027 e 2030. Os restantes 67 milhões correspondem a investimentos em equipamentos culturais, incluindo os dois projetos de Quarteira.

E há uma garantia política importante: mesmo que o título não venha para Loulé, os equipamentos estão previstos para avançar. “Estes investimentos são para fazer todos, estão todos projetados”, garantiu Telmo Pinto.

“Se Loulé for Capital Portuguesa da Cultura, o Algarve será Capital juntamente com Loulé”

Há uma frase que resume a ambição e também a dimensão do desafio: «Se Loulé for Capital Portuguesa da Cultura, o Algarve será Capital juntamente com Loulé». Telmo Pinto não falou apenas de um título. Falou de uma região que quer deixar de ser vista apenas como destino turístico e passar a apresentar-se como território de cultura, conhecimento, património e criação.

Para Dália Paulo, diretora executiva da candidatura, “isto não é uma candidatura para um ano. É uma candidatura que vai ficar e que vai transformar a nossa maneira de viver no Algarve”. A frase ajuda a perceber a estratégia: o título é o objetivo imediato, o legado é a aposta de longo prazo.

Uma candidatura de todos

Carolina Santos, diretora artística, insistiu numa ideia que atravessa todo o projeto: ninguém está a construir sozinho a candidatura. As 11 freguesias foram chamadas a participar. Foram ouvidos artistas, associações culturais e recreativas, escolas, agrupamentos escolares, IPSS, organizações sociais e associações de migrantes. Existe ainda uma caixa de ideias aberta aos cidadãos. “O programa é de todos”, afirmou.

A candidatura conta também com Lídia Jorge, de Boliqueime, e Dino d’Santiago e Ricardo Neves-Neves, de Quarteira, como embaixadores culturais.

O verdadeiro teste

O verdadeiro teste será saber se esta visão consegue ultrapassar as fronteiras de Loulé e criar uma dinâmica efetivamente regional. Por agora, a candidatura já conseguiu uma coisa: obrigar o Algarve a falar de si próprio para além do turismo.

E talvez seja essa a verdadeira dimensão de Loulé 2028. Não se trata apenas de saber quem será Capital Portuguesa da Cultura. Trata-se de saber se, em 2028, o Algarve estará finalmente preparado para se apresentar ao país como muito mais do que um destino de férias.

Categorias:Quarteira

PlanetAlgarve